A tempestade passou ao meio-dia, mas a inquietação permaneceu.
A neve ainda caía em flocos raros, o vento atravessava os pinheiros, e o céu começava a clarear lentamente. A cabana de Esekiél ficava à beira do desfiladeiro, como se tivesse sido esquecida pelo tempo. Após a morte de Rosario, o silêncio da casa havia se tornado pesado, quase doloroso.
Mas agora havia vida novamente naquele lar.
O ronco suave de Mateo. Os suspiros sonolentos de Perla. O estalar da lenha na lareira. E a voz de Soledad — baixa, cuidadosa, como se tivesse medo de quebrar aquela paz frágil.
Quando as crianças adormeceram, ela tentou se levantar, mas suas pernas falharam. Esekiél conseguiu segurá-la a tempo.
Ficaram imóveis, perto demais um do outro.
— Desculpe… — sussurrou ela.
— Pelo quê?
— Por estar aqui… como um peso.
Ele franziu a testa.
— Uma mulher que salvou meu filho não pode ser um peso.
Ela sorriu de leve, mas o cansaço permaneceu em seus olhos.
Naquele momento, a criança chorou baixinho durante o sono. Soledad imediatamente se virou para ele — e seu rosto mudou. Todo o cansaço desapareceu, restando apenas uma ternura profunda e suave.
Esekiél a observou por mais tempo do que deveria.
Então saiu de repente.
O frio atingiu seu rosto.
Ele percebeu pegadas na neve.
Frescas.
Alguém estava se aproximando da casa.
Esekiél ficou imóvel, olhando atentamente para a paisagem branca abaixo. Depois de um instante, voltou lentamente para dentro.
— Entrem — disse em voz baixa.
Soledad sentiu algo apertar dentro dela.
— O que aconteceu?
— Alguém está vindo.
Ela se aproximou da janela — e empalideceu.
Lá embaixo, na planície coberta de neve, cavaleiros avançavam.
E um deles era familiar demais para ela.
— Ele me encontrou… — sussurrou.
Esekiél olhou para ela.

— Já não existe mais “ele me encontrou”.
Ele se colocou entre ela e a janela.
— Agora ele veio até onde eu estou.
Soledad apertou as mãos.
— Você não entende… ele não vai parar.
— Então nós vamos pará-lo.
Uma voz ecoou do lado de fora:
— Esekiél Arriaga! Eu sei que ela está com você!
Soledad empalideceu ainda mais.
— É ele…
Esekiél não respondeu imediatamente.
Apenas respirou mais fundo.
— Eu não entrego pessoas que estão sob minha proteção.
A voz lá fora se aproximou, confiante, quase debochada:
— Traga ela para fora. E eu vou embora.
Esekiél saiu para a varanda.
A neve rangeu sob suas botas.
— Ela não é um objeto que pode ser levado — disse calmamente.
O homem lá embaixo riu.
— Você realmente acha que consegue escondê-la?
— Eu não a escondo. Eu a protejo.
Pausa.
E, pela primeira vez, a ironia desapareceu da voz do estranho.
— Então vai ficar no meu caminho.
— Eu já estou.
Soledad observava os dois pela janela, apertando as crianças contra si. Suas mãos tremiam, mas ela não recuou.
E de repente entendeu: o medo não desaparece de imediato.
Mas ao lado dele, deixa de controlar você.
Lá embaixo, a tensão permaneceu suspensa.
Ainda assim, em vez de tiros ou violência — o silêncio caiu sobre todos.
Longo.
Pesado.
E naquele silêncio, uma coisa ficou clara: o conflito ainda não tinha acabado, mas já não era um assassinato inevitável.
Tornou-se uma escolha.
Esekiél virou-se lentamente em direção à casa.
Soledad encontrou o olhar dele.
E, pela primeira vez desde o começo, não desviou os olhos.











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