Leonie se vestia de forma completamente comum — como qualquer jovem atravessando uma pequena cidade alemã de moto. Não tinha carro oficial, escolta ou proteção. Apenas uma motocicleta antiga, uma jaqueta de couro e um olhar calmo que não revelava absolutamente nada.
Quando se aproximou de Hirschwalden, percebeu uma barreira policial montada na entrada da cidade.
Vários policiais estavam parados perto do bloqueio. Entre eles se destacava imediatamente o Hauptkommissar Klaus Prante — um homem alto, arrogante, com o rosto de alguém que se sentia intocável havia tempo demais.
Ele fez sinal com o cassetete para que ela parasse.
Leonie encostou calmamente a moto no acostamento e tirou as luvas.
— E então? Para onde está indo? — perguntou Prante em tom agressivo.
— Para o casamento de uma amiga — respondeu ela tranquilamente.
Leonie Berger, de vinte e oito anos, tinha longos cabelos loiros e um olhar impossível de intimidar. Prante a analisou da cabeça aos pés e soltou uma risada debochada.
— Ah, entendi… festinha, né? E esse capacete? Foi o papai que colocou em você?
Os outros policiais riram baixo.
— Você estava acima da velocidade. Isso vai sair caro, mocinha.
Ele já puxava o bloco de multas, mas Leonie percebeu imediatamente que aquilo não tinha nada a ver com regras ou segurança.
Era uma demonstração de poder.
— Eu não infringi nenhuma lei, senhor comissário — respondeu com firmeza.
Prante a encarou irritado.
— Você não precisa ensinar a lei para nós.
Depois virou-se para um dos policiais.
— Vamos ensinar respeito a ela.
E, sem qualquer aviso, deu um tapa violento no rosto dela.
A bochecha de Leonie ficou vermelha na mesma hora, sua cabeça virou para o lado, mas ela rapidamente recuperou o equilíbrio. Não chorou. Não gritou.
Apenas um ódio frio apareceu em seus olhos.
Prante sorriu ainda mais.
— Ainda tão orgulhosa? Relaxa… nós vamos quebrar você.
Um policial mais jovem deu um passo à frente.
— Vamos levá-la para a delegacia. Lá ela aprende a falar direito com a polícia.
Um dos agentes agarrou Leonie brutalmente pelo braço.
— Para o carro. Agora.
Ela puxou o braço de volta.
— Não encoste em mim. Você vai se arrepender.
Prante começava a perder o controle.
— Ouviram essa princesinha arrogante?

De repente, outro policial puxou violentamente os cabelos loiros dela. Leonie gemeu de dor, mas continuou em silêncio. Ela queria ver até onde aqueles homens seriam capazes de ir.
Nesse momento, um dos policiais bateu com o cassetete na motocicleta dela.
— Vamos ver quanto tempo dura essa coragem.
E foi exatamente ali que Leonie entendeu algo assustador.
Aqueles homens não tinham medo de nada.
— Você sabe quantas como você eu já destruí? — gritou Prante.
— Levem ela!
Na delegacia, a atmosfera era ainda pior.
Paredes sujas, ar pesado e olhares de pessoas que já não conseguiam diferenciar autoridade de violência.
Prante jogou a jaqueta sobre a cadeira e sorriu com desprezo.
— Tragam chá. Hoje temos uma convidada especial.
Leonie continuava em silêncio.
Observava tudo.
Os rostos.
As mesas.
As câmeras.
O medo nos olhos das outras pessoas.
O policial jovem sussurrou para Prante:
— O que essa mulher tem de errado?
Prante deu de ombros.
— Não importa. Escreve excesso de velocidade, ausência de capacete… qualquer coisa. O importante é quebrar o orgulho dela.
Leonie ouviu cada palavra.
Mas não reagiu.
— Nome? — perguntou Prante.
— Endereço? Quem é seu pai?
Silêncio.
Prante bateu na mesa com tanta força que as janelas tremeram.
— QUAL É O SEU NOME?!
Leonie levantou lentamente os olhos.
— Sabine Meer.
Prante caiu na gargalhada.
— Claro. Uma mentirosa.
Mandou imediatamente trancá-la em uma cela.
Dentro já havia duas mulheres. Uma delas olhou para Leonie com pena.
— O que você fez para estar aqui?
Leonie apenas deu um pequeno sorriso.
Sentada no canto escuro da cela, ela ouvia as vozes vindas do corredor.
— Coloquem também roubo e extorsão no relatório — disse Prante.
— Mas nós não temos provas… — respondeu o policial jovem, hesitante.
Prante riu.
— Aqui não precisamos de provas.
Poucos minutos depois, um policial voltou a agarrar Leonie brutalmente pelo braço.
E então uma voz firme ecoou na entrada:
— Soltem ela imediatamente.
Todos se viraram ao mesmo tempo.
Na porta estava Markus Schrader, o primeiro comissário da polícia.
Ele era conhecido pela disciplina e pela personalidade fria. Mas, quando viu Leonie, sua expressão mudou imediatamente.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou em voz gelada.
Prante tentou sorrir.
— Nada importante, chefe. Só uma garota insolente.
Schrader não respondeu imediatamente.
Observava Leonie com crescente desconfiança.
A calma dela.
A postura.
O silêncio.
Algo não fazia sentido.
— O que ela fez? — perguntou finalmente.
— Resistência durante abordagem policial — respondeu Prante rapidamente.
— Estava sem capacete e tentou nos dar lições de lei.
Schrader olhou diretamente nos olhos de Leonie.
— Qual é o seu nome?
Silêncio.
Prante riu sarcasticamente.
— Está vendo, chefe? Nem o nome ela quer dizer.
Mas naquele instante Schrader percebeu que havia algo muito errado naquela situação.
— Levem ela para uma cela separada — disse calmamente.
— Quero falar sozinho com ela.
Prante congelou.
— Mas senhor Schrader…
— Sem discussão.
Leonie foi levada para uma pequena cela abafada no fim do corredor.
Sentou-se calmamente junto à parede.
E então um policial entrou correndo na delegacia, em pânico.
— Senhor Prante… há uma limusine do governo em frente ao prédio.
— O quê?! — sibilou ele.
— O chefe da polícia nacional acabou de chegar.
Prante empalideceu imediatamente.
Olhou pela janela e sentiu suor frio escorrer pelas costas.
Segundos depois, a porta da delegacia se abriu lentamente.
O chefe da polícia nacional entrou.
E olhou imediatamente para Leonie…











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